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O profeta São João Maria — Guarapuava

Ao observar que uma tempestade se aproximava, o profeta se escondeu embaixo de uma árvore. Um casal que morava próximo ao local onde ele dormia pensou que aquele homem era um mendigo. Penalizados com a situação, o dono da casa foi ao seu encontro oferecendo-lhe abrigo. Ao chegar perto de João Maria, o homem se assustou. João estava calmamente a principiar um fogo e fazendo chimarrão, convidou-o para abrigar-se em sua casa e João Maria respondeu:

— Não se preocupem comigo, vou benzer a tormenta, vá para a casa e tranquilize a sua esposa.

O homem contrariado com a recusa do monge, voltou para a casa dizendo à esposa:

— Acho que o homem lá é louco, vendo que vai chover está acendendo um fogo.

Nesta tarde choveu muito e quando a tempestade passou, o dono da casa resolveu ir até a casa de sua mãe, e ao chegar perto da árvore onde o monge se abrigou, assustou-se. O fogo estava aceso e debaixo da árvore o chão estava seco. Admirado com o que viu, chegou na casa da sua mãe, contou o que havia acontecido e ela disse:

— Eu vi, ele passou por aqui. Você estava diante de um homem santo, ele é um profeta e quem guardar seus ensinamentos não perecerá.

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Folclore da gralha-azul e das araucárias

 

Era noite de tempestades nos prados do Sul, dentro do rancho de tábuas uma fogueira de chão, um mate bem cevado e pinhões sapecados na fogueira aquentavam a frieza na noite gelada de inverno e chuva.

Contam os mais velhos que em noites como esta não se podia olhar para fora, pois se assim o fizesse o vivente atrairia para si a fúria da natureza e seus relâmpagos furiosos cegariam o astuto curioso. Mas vivente curioso é o que não falta neste mundo, e nesta noite um índio velho desafiando a crença dos antigos resolveu olhar pela janela e o que viu jamais esqueceu, conta-se até nos dias de hoje a sua visão.

O vento uivava bravio vindo do sul, raios cortavam o céu sem piedade e a chuva se fazia intensa e cruel. Foi aí que ao olhar para o céu ele viu um avezinha azul debatendo-se desesperada tentando fugir da tempestade sem conseguir exito na fuga, em sua frente frondoso pinheiro se vergava para acolher a ave sofredora e sem acreditar no que via ele ouve a árvore chamar a ave: — vem avezinha, abriga-te em meus galhos e eu te protegerei da tempestade!

O pássaro angustiado pousou naquele galho amigo que lhe abrigou, salvando assim sua vida.
A avezinha por gratidão passa os dias a arrancar a cabeça dos pinhões e enterrá-los para povoar a mata de novos pinheiros, garantindo assim que nunca falte abrigo às aves perdida em noites de tempestades.

 


 

Curitiba, 2018
Academia Curitibana de Letras
Endereço eletrônico: https://camposcuritibanos.com