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Coleta de Pinhão

Por: Alison Henrique Machado

Sinto o aroma que exala
Da erva-mate sombreada
Tem gosto de pinhão, sabor curitibano
O canto da gralha anuncia a temporada

Meu garrão cavalga troncos centenários
As mãos perfuradas no montante de sapé
Dedos congelam no outono do Sul
Garimpando a semente

Puxo a cordeona um xote e chamamé
Meu Sul de encantos
E se o poncho me protege do minuano
A sapecada aquece a alma

Taquara, espora, bombacha
A pinha que desfalha, e se espalha na geada
Grimpa, gaita, chalera
No pé da araucária, tem pinhão na brasa
Tem chimarrão e vanera

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Coleta de Pinhão” está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

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Voltanto pra casa

Por: Arthur Tramujas Neto

Eu nasci lá em Curitiba,
lá pras bandas do Portão,
desde piá me acostumei
ao bom churrasco e ao chimarrão,
é que eu sou curitibano,
eu conheço a gralha azul,
sou do tempo dos pinheiros,
sou do alto Iguaçu.
Eu saí de Curitiba,
eu deixei meu Paraná,
eu deixei a minha gente
vim parar neste lugar.
Onde está a minha gaita,
onde está meu vanerão,
não aguento de saudade,
vou voltar pro meu rincão,
vou voltar pra Curitiba,
vou rever minha guria,
não aguento este calor
pois eu sou da terra fria,
vou correndo, vou agora,
não dá mais pra segurar,
tô levando bomba e cuia,
também água pra esquentar.
Quando eu chegar em casa
a polaca eu vou beijar,
vou levar a piazada
pro passeio pra brincar,
vou-me embora eu já vou saindo,
mande alguém pra me esperar,
vou voltar pra Curitiba
com a geada eu vou chegar.


TRAMUJAS NETO, Arthur. Passe a cuia, chê!. Revista Leite Quente, ano 1, nº 2. Curitiba, 1989.
pág. 6 e 7.